O Fantástico Mundo de Baumgarten

Uma incrível perda de tempo narrando as experiências (uii!) e pensamentos de alguém que vê o mundo em outras cores. P.S.: "outras cores" é uma metáfora, não sou de maneira alguma estragado dos olhos. Se você pensou isso, a culpa é do português, essa maldita lingua que permite dupla conotação. Se mesmo assim você não entendeu, é uma pessoa burra demais pra merecer minha atenção e eu provavelmente só lhe trato bem por interesse ou pena. Pare de chorar e viva com isso!

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Local: Rio Grande, RS, Brazil

Todas as religiões convergem em um ponto: é impossível descrever Deus de maneira coerente. Partindo deste princípio universal, me resguardo o direito de não falar muito sobre mim. Resumidamente: sou autoritário, temperamental, tenho rompantes de anti-socialidade, gosto de ficar sozinho e busco desesperadamente na vida a eternidade. Buenas, é isso, seu fuxiqueiro curioso dos infernos!

19.9.09

As Crônicas de Baumgarten: A Batalha de São Paulo - Dia 1

Dia 1 - Uma engenhosa arapuca

06:00 : "A adrenalina não me deixou repousar e isso pode ser fatal nas trincheiras. O cheiro da batalha que se aproxima toma conta de meu aposento (embora talvez seja a falta de banho, o nervosismo tende a me causar relaxo). Posso estar registrando aqui meus últimos pensamentos. Se eu não retornar espalhem lendas épicas sobre mim (ainda que eu provavelmente tenha sido morto por distração ou numa clara demonstração de covardia)".

06:37 : "A higiene removeu os tentáculos da noite mal dormida de meus ossos, mas o alívio deve durar pouco. Irei sucumbir ao sono em breve durante a infiltração aérea no território hostil. Com alguma sorte me esquecem no avião e só me notam quando retornarem à segurança. Por outro lado, se o avião for derrubado tombarei sem sequer perceber. Não é honrado, mas certamente vai doer menos".

08:50 : "O cansaço volta a me assombrar. O avião está por decolar e eu certamente não estarei desperto quando tomarmos os ares (o que é uma benção, evitará meus gritinhos de medo de voar e os incontáveis momentos de pânico a cada turbulência)".

9:45 : "Um solavanco acaba de me retirar o mundo dos sonhos; conseguimos de alguma maneira penetrar facilmente no território inimigo e atingimos o solo (embora não suavemente, imagino que o piloto esteja morto ou tenha dormido durante o vôo). Meu pescoço arde com cada movimento , provavelmente estive em uma posição ruim. A noite cobrou seu preço por me poupar dos medos dos ares (ou talvez tenha sido a overdose de Dramin , vai saber)".

10:28 : "Eu e meus homens chegamos aos nossos abrigos (não sei o que é pior, a possível dupla interpretação homossexual desse começo de frase ou o fato de ser tudo fruto da minha insônia e farta imaginação - já que vim sozinho e estou fingindo cobrir uma guerra). Grosseiramente fomos recebidos com crueza, acabo de ser informado que só posso me acomodar depois das 12 horas. Não conheço a região e o abrigo nos expulsa; a guerra começa promissora".

12:03 : "Matamos alguns animais silvestres e fizemos nossa primeira e primitiva refeição: aves cruas e suínos defumados em pequenas fatias de pão que dispunhamos (vulgo "Subway Melt de 15 cm"). Com a fome saciada começo a pensar mais claramente: entramos fácil demais nessas terras amaldiçoadas, estou certo de que é uma emboscada. Gostaria de fazer algo a respeito, mas a digestão está muito preguiçosa e então entrego ao bom Deus dos gordos".

15:52 : "Até agora não avistamos qualquer inimigo e também não fomos perturbados. Após uma necessária visita ao mato amigo a refeição já não nos pesa mais nos estômagos. Dedicaremos o que resta do dia ao planejamento de nosso avanço logo ao amanhecer (o que, na verdade, é uma desculpa esfarrapada para ocultar a verdadeira programação - carteado trapaceiro e vadiagem vergonhosa). Espero ter algum tempo para registrar mais acontecimentos antes de (voltar a) adormecer quando as horas avançarem mais. Até lá presumam-me vivo (embora não faça sentido, pois diários de guerra só serão lidos quando forem achados junto aos corpos daqueles que os escreveram)".